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Daniel Araujo, Economista
Daniel Araujo
Comentário · há 5 anos
É claro que todos os custos do trabalhador acabam entrando no custo dos produtos da empresa e terão de ser pagos pelos consumidores desses produtos. Se isso não acontecer, a empresa quebra e os empregos desaparecem.

O quanto será pago ao trabalhador da iniciativa privada ao longo do ano depende fundamentalmente do mercado. As empresas mais estruturadas pesquisam constantemente o mercado e atualizam os salários de cada cargo conforme a sociedade passa a valorizar mais ou menos esses cargos. A empresa que não faz isso perde a competitividade no mercado de trabalho, pagando pouco, ou no mercado de seus produtos, aumentando o custo desses produtos com salários mais altos.

Tanto a visão de "confisco mensal para pagar o 13o" quanto a visão de "renda extra saída magicamente do nada" são equivocadas.

Na verdade, tanto o 13o. quanto uma série de outros benefícios: vale tranporte, vale refeição, vale cultura, vale xxxx, abono de férias, são fruto de 2 traços culturais infelizes do Brasil:

1. paternalismo trabalhista - assume-se que o trabalhador brasileiro não é capaz de separar, de seu salário, o que vai precisar para transporte alimentação, férias, Natal, etc.. Por isso é essencial carimbar dinheiros diferentes para cada coisa. E, em alguns casos, proibir o uso de cada dinheiro para uma finalidade diferente do que diz o carimbo. Se não, o brasileiro poderia deixar de comer e usar o dinheiro do vale refeição para outra coisa;

2. demagogia + me engana que eu gosto. Como já vimos, o total do dinheiro que o empregador vai pagar pelo trabalho do trabalhador não pode seguir outra lógica que a da estrutura de custo do produto e do preço que o mercado vai pagar por esse produto. Aliás, uma parte significativa desse custo é entregue mensalmente ao Governo, com a esperança de que uma parte dele reverta em benefício do próprio trabalhador.
Ora, a legislação cria a ilusão de que uma parte desses custos é um benefício legal, ao invés de uma remuneração justa pelo trabalho.
Então o trabalhador desavisado acha que recebe um salário pelo seu trabalho e um benefício extra, mercê da magnanimidade do legislador trabalhista.
Até alguns anos atrás, tínhamos um político que se elegia com o argumento de que havia criado o salário-família!

Essa premissa da irresponsabilidade orçamentária do trabalhador acaba sendo uma profecia auto-cumprida. Ao ser tratado como incapaz de auto-gerenciamento, o trabalhador se conforma com essa situação.
Não são poucos os trabalhadores que retornam das férias desesperados porque receberam salários adiantados, bônus e mais 10 dias que 'venderam' mas não foram capazes de reservar um pouco dessa 'bolada' para pagar as contas do mes seguinte. E mais o cartão de crédito estourado nas férias.
Se os governos federal, estaduais e municipais são irresponsáveis fiscais, porque esperar algo melhor do cidadão?

Eu creio que, efetivamente, o 13o. salário está tão entranhado na cultura trabalhista brasileira, que não há como eliminá-lo.

Porém precisamos urgentemente começar a enxergar o trabalhador como alguém capaz de fazer um orçamento pessoal/familiar e gerenciar os ganhos e os gastos. Minha avó não teve tanto estudo como hoje está disponível para a vasta maioria, mas tinha um bom senso de responsabilidade e fazia isso muito bem.

Para isso, é preciso querer sair do paternalismo e educar o trabalhador na sua responsabilidade.
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